A mercadoria, enquanto produto do trabalho, representa algo bastante significativo: A reprodução da existência humana. E é entristecedor saber que a nossa existência é tão pouco valorizada em certas profissões, como na música, por exemplo. Ter que trabalhar num mercado informal porque não se pode contar com um órgão que nos represente, como alguma espécie de sindicato que estabeleça leis trabalhistas para a profissão de músico. Uma utopia pensar algo assim diante da nossa realidade, enquanto estamos entregue à boa vontade de quem está fazendo a coisa funcionar, de quem tem o poder nas mãos e arbitra valores que pouco compensam e não acompanham sequer o aumento de salário e todas as parafernálias do processo capitalista. A busca obsessiva pelo lucro contaminou a nossa querida música e as notas musicais perderam o valor, a moda é copiar e colar. Valores objetivos perderam espaço para os valores subjetivos, a moral e o respeito dos tempos das trocas comerciais se perderam, se solubilizaram em meio a tanta ganância e em meio a relações verticais, relações de exploração. O que ainda mantém minha esperança em dias melhores é o valor que tem as notas musicais e saber que apesar de poucas, ainda existe quem reconheça esse verdadeiro valor, que dinheiro nenhum paga, assim como me emociono e faço questão de aplaudir quem executa estas notas com maestria, me emociona ver o progresso dos que me são queridos assim como me emociona a reciproca verdadeira da parte de quem já caminhou mais do que ou tanto quanto eu nesta vida. Eu ainda sonho em ver a revolução dos que não comem e dos que não dormem, como diria Josué de Castro. Aí eu quero ver quem segura a força da liberdade! A arma que eu ainda tenho para lutar contra essa realidade que nada me agrada e aliviar meus males é escrever e tocar, não tão bem, mas buscando a cada dia melhorar, buscando andar pra frente e a acompanhar o caminhar da História. Nos proteja meu Senhor, dá-nos sabedoria e amor para vencer as tensões deste mundo.